Luiz Cabrine / Valor Comunica.


JANAÚBA– Uma denúncia envolvendo suposta concessão irregular de gratificações e horas extras a servidores da Câmara Municipal de Janaúba, Norte de Minas, colocou sob os holofotes o vereador e ex-presidente da Casa, Wires Carlos Lopes. A acusação, feita pelo suplente Gildo Aparecido Alves de Souza, aponta que Wires teria beneficiado um grupo de servidores durante o período eleitoral de 2024. A Câmara instaurou uma Comissão Processante (CP) para investigar o caso, acirrando os ânimos políticos e dividindo opiniões dentro e fora do Legislativo.
A Denúncia
A denúncia partiu do suplente de vereador do Distrito de Quem Quem, Gildo Aparecido Alves de Souza. Segundo Gildo, Wires Carlos, durante sua presidência em 2024, autorizou o pagamento de gratificações e horas extras a servidores da Casa em pleno ano eleitoral, levantando suspeitas sobre possíveis benefícios indevidos e favorecimento político.
Comissão Processante
Seguindo o Regimento Interno da Câmara, foi instaurada pela Presidência do Legislativo uma Comissão Processante (CP) para apurar os fatos. A composição da comissão, definida por sorteio, ficou assim: José Tarcísio Mendes (Presidente), Maria Aparecida (Relatora) e Bruno de Cabedal (Membro).
Defesa
Na última sexta-feira, 2 de maio, Wires Carlos apresentou sua defesa formal com alegações sobre o processo, à Comissão e negou as irregularidades em relação à denúncia.
Decisão e vitória de Wires
Na manhã de quarta-feira, 7 de maio, a Comissão Processante votou sobre o andamento da investigação. Apesar da defesa apresentada, o presidente da comissão, José Tarcísio, votou pela continuidade das apurações. Contudo, foi voto vencido. Maria Aparecida e Bruno de Cabedal rejeitaram o prosseguimento da denúncia por 2 votos a 1. A decisão que está longe de unanimidade dividiu opiniões e gerou críticas por suposta falta de debate público e transparência sobre os atos da comissão.
Argumentos e repercussão
Procurado pelo Portal Valor Comunica, Bruno de Cabedal afirmou que a matéria envolve aspectos da legislação eleitoral e, por isso, considerou não ser competência dele avançar na investigação. José Tarcísio, por sua vez, reiterou que seu voto e afirmou que se posiciona pela devida apuração dos fatos, apontando falta de tempo para uma análise aprofundada antes da votação.
O vereador Augusto Wagner de Jesus, vice-presidente da Câmara e também favorável à investigação, declarou que o caso segue agora para decisão do plenário. O vereador denunciado, Wires Lopes, também não retornou o contato de Valor Comunica.
O que vem pela frente
A denúncia, apesar de rejeitada na comissão, não está encerrada. Na próxima segunda-feira, 12 de maio, o plenário da Câmara Municipal terá a última palavra sobre o destino da investigação. A votação promete ser acirrada, com grande expectativa da população, que exige transparência e justiça.
Clima político e impacto
A situação expôs fissuras políticas dentro da Casa e levantou discussões sobre a necessidade de mais transparência e participação da sociedade em casos que envolvem suspeitas de improbidade.
A denúncia tem potencial para impactar a imagem de Wires Carlos, reeleito em outubro de 2024, e fortalecer debates sobre ética pública no município.
Comissão Processante contra Parecer Jurídico da Assessoria Jurídica
Com os votos dos vereadores Bruno de Cabedal e Maria Aparecida, favorecendo Wires, e contra a investigação da denúncia, a comissão rejeita a possibilidade de continuidade da apuração dos fatos, mesmo diante de Parecer da Assessoria Jurídica da Câmara, favorável ao andamento da denúncia.
O portal Valor Comunica teve acesso ao parecer, que comprova as informações descritas nesta reportagem.










