A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagrou, na quinta-feira (21), a operação Pecus Fraudis, que resultou na prisão de um advogado de Janaúba, na Serra Geral de Minas, investigado por envolvimento em um esquema criminoso de fraudes milionárias relacionadas à compra e venda de gado no Norte de Minas. O suspeito, de 40 anos, foi preso na cidade de São Paulo com apoio operacional da Polícia Civil paulista.





De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil em Janaúba, o advogado passou a atuar de forma intensa no setor pecuário a partir de agosto do ano passado, realizando negociações em diversos municípios da região. Entretanto, segundo os levantamentos, os supostos golpes teriam se intensificado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
Neste período, dezenas de produtores rurais, transportadores e comerciantes procuraram a Polícia Civil para denunciar prejuízos financeiros que, até o momento, já ultrapassam R$ 2,5 milhões.
Diante dos elementos reunidos durante as investigações, a Justiça autorizou a prisão preventiva do suspeito. A Polícia Civil também representou pelo sequestro e bloqueio de bens, além do cumprimento de mandado de busca em endereço ligado ao investigado. Durante a ação em São Paulo, foram apreendidos documentos, cheques e outros materiais considerados importantes para o avanço das apurações.
Segundo a PCMG, o investigado utilizava o nome, a estrutura e a credibilidade de um grande grupo empresarial ligado a um parente para dar aparência de legalidade às negociações. Conforme apurado, ele se apresentava como sócio, proprietário ou representante das empresas, utilizando uniforme, crachá corporativo, veículos identificados e toda a estrutura empresarial para conquistar a confiança das vítimas.
A delegada Glenia Balieira Torres Aquino informou que as investigações apontam que o suspeito adquiria grandes quantidades de bovinos por meio da emissão de cheques sem fundos, muitos deles em nome de terceiros e integrantes do núcleo familiar.
“Em alguns casos, realizava pagamentos parciais via Pix para reforçar a credibilidade das negociações e induzir as vítimas em erro”, destacou a delegada.
As investigações apontam ainda que, após a retirada dos animais, o gado era rapidamente transferido para propriedades rurais utilizadas como base logística do esquema criminoso. Posteriormente, os bovinos eram revendidos em leilões agropecuários e em negociações realizadas em cidades da região antes mesmo da compensação dos cheques entregues às vítimas.
Durante os trabalhos investigativos, a Polícia Civil reuniu registros agropecuários, notas fiscais, guias de trânsito animal, dados financeiros, relatórios de inteligência policial e outros elementos que indicam, em tese, a prática dos crimes de estelionato qualificado, lavagem de capitais e associação criminosa.
“As investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos no esquema, rastrear ativos financeiros e aprofundar a apuração sobre a cadeia de comercialização dos animais negociados de forma fraudulenta”, finalizou a delegada Glenia Balieira Torres Aquino.










