A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (14), a segunda fase da operação “Padrão”, que investiga a atuação de uma organização criminosa suspeita de fraudar o fornecimento de energia elétrica, praticar lavagem de capitais, compra de votos e fraudes em processos licitatórios nos municípios de Espinosa e Mamonas, no Norte de Minas.
Nesta nova etapa da operação, foram cumpridas medidas cautelares patrimoniais autorizadas pela Justiça, incluindo o sequestro de imóveis e veículos, além do bloqueio de contas bancárias vinculadas aos investigados e às empresas envolvidas no esquema. O valor total bloqueado gira em torno de R$ 1 milhão.
Entre os bens arrecadados pela polícia estão caminhonetes, caminhões, motocicletas e automóveis, além de um sítio e um terreno localizado em condomínio de alto padrão. Também foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em imóveis residenciais e comerciais.
Durante as diligências, os policiais localizaram documentos, cheques e outros materiais considerados relevantes para o avanço das investigações.
Estrutura criminosa e ocultação patrimonial
Segundo a investigação, há indícios de que o grupo atuava de forma estruturada em esquemas clandestinos de instalação irregular de redes elétricas, além de possível ocultação de patrimônio e utilização de interpostas pessoas, conhecidas popularmente como “laranjas”.
Entre os investigados está um ex-parlamentar de um dos municípios, apontado como possível líder do esquema. A Polícia Civil também apura a participação de três pessoas suspeitas de atuarem como laranjas, além de três empresas que teriam sido utilizadas para movimentar e ocultar recursos oriundos das práticas ilícitas.
As apurações revelaram ainda relatos de intimidação e ameaças contra pessoas envolvidas no processo de regularização das instalações junto à concessionária responsável pelo abastecimento de energia. Há suspeitas de que funcionários tenham sido coagidos, fato que também passou a integrar a investigação.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Eujecio Coutrim Lima Filho, “as medidas desta fase têm o objetivo de desarticular a estrutura financeira do grupo, assegurar a efetividade da persecução criminal e viabilizar a conclusão desta etapa das apurações”.
Instalações clandestinas e riscos à população
As investigações apontam que o grupo realizava instalações clandestinas de redes elétricas sem obedecer normas técnicas, utilizando materiais de procedência duvidosa, padrões supostamente desviados e documentos falsificados.
Além dos prejuízos financeiros, as irregularidades também representavam riscos à segurança da população.
A Polícia Civil ainda investiga indícios de lavagem de capitais por meio da ocultação patrimonial, com empresas registradas em nome de terceiros, além da utilização indevida de veículos pertencentes a associações comunitárias em benefício de empresas ligadas ao principal investigado.
A operação contou com apoio de policiais civis do 11º Departamento de Polícia Civil e da Delegacia Regional em Janaúba.
As investigações seguem em andamento para completa elucidação dos fatos e responsabilização dos envolvidos.
















