Hoje abrimos uma página da nossa história — uma janela para o tempo onde a vida respirava
devagar, com a simplicidade e a mística do campo.
Vivemos dias em que o relógio corre demais, parecendo roubar-nos o tempo, a calma e até a
memória.
Mas esta poesia nos lembra de uma verdade gravada no coração: não é mentira, um dia fomos donos de nós mesmos. Aqui, idosos reencontram sua raiz, famílias veem o valor do que é simples, e os jovens são convidados a entrar numa doce “máquina do tempo”: um mundo feito de terra, brincadeiras criadas pelas mãos, contos ao entardecer e muita liberdade.
Que estas palavras nos toquem a alma — leves, encantadas e verdadeiras — como o vento que
ainda sopra suave sobre o chão onde a vida é mais pura. Ouçamos, então:
O Tempo que Era Nosso
A vida do campo — linda, simples e calma,
tem mística antiga, que acalma a alma.
Hoje o relógio corre, assalta e rouba:
nosso tempo, sono, infância e a boa lembrança.
Mas a verdade fica, gravada e certa:
um dia fomos donos de nós mesmos.
Infância no Chão Livre
Na festa, na feira, no chão do lugar, a meninada corre, solta a brincar.
Pés descalços na poeira, alma leve e risonha,
o mundo é imenso, a infância é um sonho.
Sentados na calçada, a tarde bem guardada,
ouvem-se contos — de fada, de estrada, de assombração.
O quintal vira mundo, vasto universo,
e até o vento ali declama em verso.
Roda, Roda, Vida
Na roda de rua, a ciranda cantada,
gira a infância inteira, de mão dada e dada.
A carriola desce ladeira abaixo, ligeira,
eixo de ferro, roda de madeira, risada e brincadeira!
Bem longe da indústria moderna, do lixo e do luxo, consumo vazio, a imaginação é o dom que nos basta:
uma folha de papel e toque de mágica —
balão e avião a voar, carrinho de rolimã desce o estradão sem parar.
As Mãos que Fazem Magia
Orgulho bonito do que se fez com a mão,
brinquedo talhado com a mente e o coração:
Das pelotas de barro, uma fauna inteira
moldada no capricho daquela brincadeira;
E a boneca de pano, ou de pau e sabugo de milho —
que mágica sem igual no rústico brilho! —
virava boneca enfeitada ou então boi no curral,
criando mundos lindos no terreiro e no quintal.
Pião de goiabeira rodando no chão,
bodoque certeiro, pipa ao vento na mão.
Com brilho no olhar, conta-se a aventura,
lugares distantes, além da ternura:
Mundos novos, fora do terreiro e do lar,
nos passos ligeiros do tempo a brilhar.
Raiz e Coração
Assim cresciam, felizes e inteiros,
guardando no peito a alma verdadeira.
Semeando a vida com afeto e pureza,
dias de festa, paz e leveza.
É a história viva — de avós, de escola, de igreja,
um lugar onde a alma ainda se beija.
Uma máquina do tempo, doce e sem igual,
para os jovens de hoje verem o mundo real.
Sentido da Obra (Nota Pedagógica)
Um convite suave: entrelaça a memória do campo, a simplicidade da criação e a alegria de ser livre —
contrastando com a pressa e o consumo vazio da modernidade. Fala a todos: idosos reencontram sua
raiz; famílias veem o valor da união; crianças descobrem uma infância feita de mãos, terra e sonhos,
não telas.







