Por Luiz Cabrine | Valor Comunica

A corrida presidencial de 2026 tem um eleitorado que nenhum candidato pode ignorar: as mulheres.
Dos 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar em outubro, 83.877.126 são mulheres — 52,84% do eleitorado nacional, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os homens representam 47,16%. (Justiça Eleitoral)
A matemática eleitoral é simples: quem quiser chegar ao Palácio do Planalto terá de conquistar a confiança da maioria feminina.
E essa disputa promete ir muito além da propaganda eleitoral.
Uma força que pode decidir a eleição
O voto feminino deverá estar no centro das estratégias e do debate dos candidatos. Mas falar com as mulheres significa, cada vez mais, discutir temas que interferem diretamente em suas vidas.
Segurança, emprego, renda, saúde, educação, proteção social e combate à violência estão entre as questões que podem pesar na decisão diante da urna.
E há uma urgência que não pode ser ignorada: a violência contra a mulher.
O Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, segundo o (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).
O dado transforma a defesa da mulher em uma questão que ultrapassa o discurso político. É uma questão de segurança pública e cultural.
Da promessa à proteção
A campanha presidencial deverá colocar em discussão propostas para prevenção da violência, fortalecimento das forças de segurança, investigação, proteção às vítimas, cumprimento das medidas protetivas e ampliação da rede de atendimento.
O desafio não é apenas criar novas leis. É fazer com que as políticas públicas funcionem antes que a ameaça termine em tragédia.
O próprio Fórum Brasileiro de Segurança Pública chama atenção para essa distância entre a legislação existente e a capacidade do Estado de garantir proteção efetiva às mulheres. (Fórum Brasileiro de Segurança Pública)
Em uma eleição, esse pode ser um dos pontos de maior pressão sobre os candidatos.
Segurança e soberania entram no jogo
Mas a política das mulheres não termina na pauta feminina.
Segurança pública e soberania nacional também deverão ocupar espaço importante no debate eleitoral.
O eleitorado quer saber como o próximo governo pretende enfrentar o crime organizado – um problema do Brasil, proteger fronteiras, fortalecer as instituições de segurança e garantir maior proteção à população.
Ao mesmo tempo, soberania envolve decisões estratégicas sobre economia, território, recursos naturais, energia, tecnologia, indústria e a posição do Brasil diante do mundo, sem que isso represente a entrega do país e de nossas riquezas a outras nações.
São temas que dizem respeito a todos — inclusive às mais de 83 milhões de brasileiras que estarão diante da urna.
A eleição passa por elas
A mulher brasileira não é apenas um segmento eleitoral a ser conquistado, ela é maioria.
E essa maioria pode fazer diferença em uma disputa presidencial.
Por isso, os candidatos deverão disputar não apenas votos femininos, mas confiança.
A mulher de 2026 estará olhando para as propostas, mas também para a capacidade e postura de cada candidato de transformar discurso em resultado.
No fim das contas, a pergunta que pode definir parte importante da corrida presidencial é direta: quem conseguirá convencer as mulheres de que está preparado para proteger, governar e construir o futuro do Brasil?
A resposta estará nas urnas. E elas são maioria.
A mudança começa na formação
Nenhuma política pública, por mais necessária que seja, e nenhuma medida repressiva, por mais rigorosa que seja, será suficiente para enfrentar sozinha uma violência que está profundamente enraizada na sociedade.
A transformação precisa começar na base: na formação do ser humano. É na infância que valores éticos, culturais e sociais começam a ser construídos — e é ali que deve nascer uma nova geração de homens, educados para respeitar, proteger e reconhecer a dignidade das mulheres.
A visão é simples e profunda: criança deve ser protegida; mulher, valorizada. Isso não significa abrir mão da responsabilização. Agressores precisam ser investigados, julgados e, quando condenados, punidos, inclusive com penas rigorosas.
Mas apostar exclusivamente em prisão depois que a violência acontece é, em grande medida, chover no molhado. O enfrentamento de longo prazo exige educação, prevenção e transformação cultural.
Exige mudança de mentalidade e expansão da consciência humana. Porque uma sociedade verdadeiramente segura para as mulheres começa a ser construída muito antes da violência — começa na formação de cada criança.








